Avistar baleias em São Sebastião virou o novo queridinho do turismo de inverno em SP. As jubartes movimentam a economia local e atraem milhares de turistas entre junho e setembro.
Durante o inverno, enquanto muitos pensam que o litoral entra em modo soneca, São Sebastião prova o contrário com um espetáculo que atrai olhares do Brasil inteiro: o avistamento de baleias jubarte. Essas gigantes dos mares viraram atração certa nas águas do Litoral Norte, ajudando a transformar a baixa temporada em um período movimentado, cheio de turistas, empregos e renda para a cidade.
Temporada de baleias: turismo com emoção e propósito
As jubartes, com seus saltos impressionantes e cantos misteriosos, chegam ao litoral paulista entre abril e setembro, migrando das águas geladas da Antártida para acasalar e dar à luz em mares mais quentinhos.
Em 2024, mais de 12 mil turistas embarcaram em passeios para observá-las em São Sebastião e Ilhabela — um salto de 63% em relação ao ano anterior. Para este ano, a expectativa é ainda maior: 13 mil visitantes devem participar das saídas náuticas guiadas por especialistas e operadores locais.
“Esse tipo de turismo é diferente. Quem embarca está em busca de uma experiência única e consciente. As pessoas querem ver a natureza em ação, aprender, se emocionar”, comenta Gustavo Benedito, da operadora Capitão Ximango.
Impacto direto na economia local
Os passeios, mais longos e especializados, geram mais receita no inverno do que muitos roteiros de verão. De acordo com o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), cerca de R$ 138 milhões são movimentados por temporada com o turismo de avistamento de baleias no Litoral Norte.
“O turismo das baleias rompeu com a ideia de que nossas praias são só para o verão”, explica Roberto de Lucena, secretário estadual de Turismo. “Ele cria empregos, movimenta a rede hoteleira, bares, restaurantes e ainda valoriza a natureza”.
O prefeito Reinaldinho Moreira reforça: “É uma atividade que une turismo, sustentabilidade e educação ambiental. A gente ganha em ocupação e em visibilidade, sem comprometer o meio ambiente”.
Turismo com responsabilidade
A observação é feita com todo o cuidado para não perturbar os animais. A Marinha do Brasil e o Ibama garantem que as embarcações mantenham a distância segura, e os guias recebem capacitação constante.
Além disso, os registros fotográficos das caudas das jubartes viram dados científicos: cada cauda é única, como uma digital. Essas imagens vão para o catálogo internacional Happywhale, que rastreia os animais pelos oceanos. Sim: você pode ajudar a ciência clicando uma cauda!
E o que mais vem por aí?
As baleias também inspiram a agenda cultural de São Sebastião. Durante a temporada de observação, a cidade recebe atrações como:
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Festival do Camarão (3 a 6/7)
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Festival Sertanejo (14 e 15/7)
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Arraiá do Tio Maneco (18 a 26/7)
Ou seja, é diversão garantida dentro e fora d’água.
Para além das jubartes…
Outros cetáceos também aparecem por aqui: baleias-francas, baleias-de-bryde, golfinhos, além de tartarugas e aves marinhas. E para os mais aventureiros, a Laje de Santos (a 45 km do Litoral Sul) é um dos pontos de mergulho mais ricos em biodiversidade do Estado.
Um futuro promissor
Com mais de 5 milhões de turistas por ano, o Litoral Norte já é um gigante do turismo. Mas agora, com o inverno entrando de vez no mapa das viagens, a expectativa é de crescimento ainda maior — principalmente por causa da proximidade com São Paulo, maior polo emissor de turistas do país.
Fonte: Depcom | PMSS