Em Caraguatatuba, 120 aves silvestres reabilitadas foram devolvidas ao habitat natural em ação educativa e simbólica. Entenda o impacto e o processo.
Na última sexta-feira (31), em uma ação conjunta no município de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, 120 aves silvestres reabilitadas foram devolvidas à natureza por meio de uma cerimônia realizada no Sítio do Jacu, no bairro Tabatinga.
Por que essa soltura importa
A atividade foi organizada pela Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Caraguatatuba, em colaboração com outros órgãos e contou com participação de crianças especiais do bairro Sertão da Quina (Ubatuba).
As aves tinham sido reabilitadas no CETAS do Parque Anhanguera (Centro de Triagem de Animais Silvestres) em São Paulo, e “em sua maioria resgatadas do tráfico ilegal de fauna, uma das principais ameaças à biodiversidade brasileira”.
O local escolhido e seu valor ambiental
O Sítio do Jacu está inserido em área de Mata Atlântica protegida, com vegetações de restinga, floresta paludosa e floresta ombrófila densa, além de importantes corpos hídricos.
As florestas da região de Tabatinga e Mococa são consideradas de importância extrema para a conservação da biodiversidade.
Portanto, a escolha do local favorece o retorno seguro das aves ao habitat adequado, contribuindo para a regeneração das comunidades naturais.
O papel estratégico das aves libertadas
De acordo com o responsável pela Área de Soltura e Monitoramento do Sítio do Jacu, Eduardo Leduc, “libertamos várias espécies que já constam em listas de extinção. As aves são fundamentais para a disseminação de sementes, garantindo a regeneração das florestas e atraindo o ecoturismo de observadores do mundo inteiro ao nosso litoral”.
Isso reforça que não se trata apenas de um gesto simbólico, mas de uma ação com impacto ecológico real:
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Auxílio à regeneração vegetal por meio da dispersão de sementes.
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Reforço de populações silvestres que sofreram por tráfico ou captura.
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Melhoria da conectividade ecológica na faixa costeira nordeste paulista.
O processo técnico: além da soltura
Conforme relatório da IBAMA, os centros de triagem (CETAS) desempenham papel central na reabilitação de animais silvestres — em 2023 foram atendidos cerca de 60 mil animais, dos quais 67% aves, e aproximadamente 40 mil passaram por reabilitação.
O processo inclui:
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treinamento de voo para aves;
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reeducação alimentar;
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incentivo ao comportamento natural;
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aclimatação em Áreas de Soltura (ASM ou “Áreas de Soltura de Animais Silvestres”).
Assim, a soltura em Caraguatatuba cumpre uma etapa final de um ciclo que começou com apreensão ou resgate, passou pela recuperação e termina com reintegração ao meio natural.
Educação e sensibilização: a importância social da ação
A cerimônia contou com presença de crianças especiais, evidenciando a dimensão educativa e simbólica da ação. A secretária-adjunta da pasta municipal, Ana Carolina Muri, observou que “a soltura é um ato técnico, mas também profundamente simbólico. Representa o respeito e a devolução da liberdade a seres que nunca deveriam ter sido retirados da natureza. Podemos admirar os animais sem aprisioná-los”.
Dessa forma, o evento vai além dos muros das instituições ambientais: envolve a comunidade, sensibiliza e gera consciência sobre o tráfico de fauna, a conservação e a ética ambiental.
Conclusão: um símbolo que vira rotina necessária
Essa soltura de 120 aves silvestres em Caraguatatuba representa um elo entre técnica, política ambiental e participação comunitária. Por isso, serve como modelo: não basta resgatar — é preciso reabilitar, monitorar e reintegrar com critério.
A ação reforça que a liberdade dos animais silvestres é também liberdade para os ecossistemas funcionarem. A vigilância contra o tráfico e o comércio ilegal de fauna devem permanecer altas — e essas atividades de soltura ajudam a visibilizar o problema e mobilizar a sociedade.
Fonte: Prefeitura de Caraguatatuba/SP

